Cascata x Ágil

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Rogerio Roberto

Cascágil

Quando recebi o desafio de escrever sobre Cascata x Ágil, me perguntei o que eu poderia dizer que ainda não foi dito sobre esses dois modelos e, claro, comparativamente o que os distingue e as razões disso fazer tanto sentido, fiquei intrigado e fui buscar inspiração na literatura, como costumo fazer nessas situações.

Num dado momento tive um insight que foi ler novamente o artigo “The new new product development game” publicado pela HBR (em 1986) e de autoria de dos professores japoneses Hirotaka Takeuchi e Ikujiro Nonaka.

É impressionante como esse texto continua atual e, ao mesmo tempo, é assustador como alguns líderes do presente ainda não se deram conta dessa realidade. Para quem ainda não o leu, recomento fortemente sua leitura.

Sim, eu digo realidade pois o texto discorre sobre um conjunto de práticas observadas em algumas empresas, tanto nos Estados Unidos quanto no Japão, e que faziam toda a diferença no que tange a inovação e velocidade no lançamento de novos produtos (isso em 1986). Conceitos como fases sobrepostas, times auto organizáveis, flexibilidade e criatividade já eram observadas em empresas que se destacavam de seus competidores, todas práticas que hoje chamamos de ágeis.

Entretanto falar do comportamento da liderança não é meu objetivo aqui, hoje, podemos voltar com isso num outro artigo. Assim vamos focar na principal diferença entre os dois modelos para que não haja dúvida sobre as características de cada um.

Diferentes tipos de demandas podem requerer diferentes tipos de abordagens, assim, não é meu objetivo descartar ou desqualificar totalmente um modelo em relação ao outro, apenas destacar suas principais características.

De um modo geral as diferenças se concentram em:

1 – Cascata: Entrega tardia de valor (somente no final do projeto) com necessidade de detalhamento prévio do escopo e com grande dificuldade para gerenciar mudanças.

2 – Ágil: Entrega adiantada de valor (incremental) com necessidade de ciclos curtos de feedback e priorização constante. Esse modelo é flexível e facilita a gestão de mudanças.

Vantagens do modelo em cascata:

É um dos modelos mais fáceis de gerenciar. Devido à sua natureza, cada fase tem resultados específicos e um processo de revisão, além de:

  • Funcionar bem para projetos onde os requisitos são facilmente compreensíveis, cujos resultados sejam previsíveis e onde haja pouca variação esperada do escopo, como projetos de infra estrutura, engenharias tradicionais, etc;
  • Entrega mais rápida do projeto;
  • O processo e os resultados são bem documentados;
  • Método facilmente adaptável para mudança de equipe;
  • Sob o ponto de vista do framework cynefin é uma opção para ambientes complicados (previsíveis).

Vantagens do modelo ágil:

É o processo focado no cliente. Assim, garante que o cliente esteja continuamente envolvido em todas as etapas, além de:

  • As equipes ágeis são extremamente motivadas e auto-organizadas, portanto, é provável que forneçam um melhor resultado dos projetos de desenvolvimento;
  • O método ágil de desenvolvimento de software garante que a qualidade do desenvolvimento seja mantida;
  • O processo é totalmente baseado no progresso incremental. Portanto, o cliente e a equipe sabem exatamente o que está completo e o que não está. Isso reduz o risco no processo de desenvolvimento;
  • Sob o ponto de vista do framework cynefin é uma opção para ambientes complexos (baixa previsibilidade).

Limitações do modelo em cascata:

Não é um modelo ideal para um projeto em ambientes complexos (baixa previsibilidade), e também:

  • Se o requisito não estiver claro no início, é um método menos eficaz;
  • Muito difícil voltar para fazer alterações nas fases anteriores;
  • O processo de teste começa assim que o desenvolvimento termina. Consequentemente, ele tem grandes chances de encontrar bugs posteriormente ao desenvolvimento, onde eles são caros para consertar.

Limitações do modelo ágil

Não é um método ideal para projetos de desenvolvimento onde haja alta confiança e especificidade de escopo (alta previsibilidade), além de:

  • Requerer maturidade e um time empoderado para tomar decisões importantes nas reuniões;
  • A implementação requer um esforço para capacitação e empoderamento dos times;
  • É necessária muita disciplina e persistência nos momentos iniciais de implementação dos métodos ágeis.

Comparativo Visual:

1 – Ciclo de vida Cascata (Waterfall) x Ágil

2 – Retorno sobre o investimento:

Conforme podemos ver nos quadros acima, a entrega de valor no modelo cascata (waterfall) só acontece ao final do projeto, enquanto no ágil, ele começa logo nos primeiros ciclos.

Conclusão:

Por isso é importante, antes de tomar a decisão de migrar de um modelo para outro é identificar se o seu contexto requer adaptabilidade ou se é mais previsível.

A partir disso, saberemos qual modelo faz mais sentido para o seu contexto.

Por fim, se a decisão for pela migração do cascata para o ágil, é importante fazê-la de forma profissional, a partir da contratação de profissionais ou consultoria especializada, pois há um mito de que agilidade requer menos especialização e onde tudo é mais simples. De fato estamos falando de uma completa mudança de modelo mental de adoção de práticas que não são fáceis de aplicar. Você vai encontrar resistência dentro da empresa mas é preciso persistir. Depois que se começar a colher os frutos e os benefícios desse modelo, você não vai mais querer voltar para o anterior.

Forte abraço.

Referências:

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