Construindo estratégia com unFIX

Thiago Brant

Thiago Brant

No último quarter de 2024 tomamos uma importante decisão aqui na Agilers: rever o nosso posicionamento de mercado e estratégia como empresa.

A Agilers é uma empresa jovem, com 4 anos e meio e com um resultado consistente e crescente. Mas sabemos que podemos muito mais, e também sabemos das estatísticas: a esmagadora maioria das empresas não passa dos 5 anos.

Isso se deve a um padrão de construção de marcas, em que as empresas entram em declínio ou em uma trajetória de mediocridade por não ter uma boa base no ciclo de sucesso e maturidade. Nós não queremos cair nessa!

Ainda não vou abrir aqui esse novo posicionamento, que ficará bem claro em 2024, mas vou contar como estou usando os Padrões de Definição de Metas do unFIX para desdobrar essa estratégia.

Tudo começou quando estava rascunhando os nossos OKRs do próximo ano. Eu já utilizo um conceito muito interessante que o Jurgen Appelo, idealizador do Modelo unFIX, propôs e que ele batizou de flOwKRs. É uma sacada muito bacana de combinar o conceito de fluxo contínuo com o conceito de OKRs. Mas vou falar melhor disso no fim desse artigo.

Eu percebi que precisava de um pouco mais de base para ter um mix de OKRs robusto para inspirar o time, então dei alguns passos atrás e visitei os padrões do unFIX para me ajudar.

Foi mais ou menos assim:

Dimensões Estratégicas

O primeiro set de cards que eu usei foi o de Dimensões Estratégicas, que ajuda a avaliar e trabalhar com os pilares estratégicos da companhia, inspirado pelo consagrado Business Model Canvas e complementado pelo Wardley Map.

Esse set de cards oferece ao todo 14 dimensões relevantes para a estratégica de negócios. Para trabalhar cada uma das dimensões eu usei um esquema proposto em um exercício do Foundation Workshop do unFIX que sugere os Cinco Passos Estratégicos:

  1. Crie consciência contextual -> Trabalhe a partir do contexto atual. Não adianta ficarmos só no campo das ideias. Precisamos partir de onde estamos. Nessa etapa eu listei o que já praticamos em cada um dos pilares. Foi um exercício incrível para compreender melhor a empresa.
  2. Identifique muitas opções -> O planejamento estratégico envolve avaliar o que podemos mudar em cada um dos pilares estratégicos. O que não está bom? O que pode ser melhor? O que pode ser adicionado? Que opções temos?
  3. Decida o que não fazer -> “Boa estratégia precisa de líderes que saibam dizer não para uma grande variedade de ações e interesses.” – Richard Rumelt. De posse das opções listadas, é hora de escolher aquelas mais fracas que decidimos por não fazer.
  4. Permita vários cenários -> Dentro das opções existentes, pense em possíveis cenários e possibilidades.
  5. Aponte para um futuro preferido -> Por fim, dentre os vários cenários possíveis, veja qual deles é o mais interessante e que podemos focar.
Cinco Passos Estratégicos

A imagem de fundo da foto acima foi de uma sessão que o Jurgen rodou um tempo atrás com os parceiros unFIX para olhar para a estratégia do próprio unFIX. Consegue ver meu rosto na foto de fundo? Eu estava lá!

Valores Comportamentais

Durante esse trabalho, e devido a natureza da mudança que estamos promovendo, precisei também visitar o set de Valores Comportamentais. Já estava no meu backlog a revisão dos nossos valores organizacionais, e fui buscar mais essa inspiração para direcionar meu trabalho.

Eu achei muito válido refletir sobre os valores que estavam em pauta dentro dos quatro quadrantes propostos nesse set. O tema valores é de extrema importância nas organizações, mas de nada vale se não houver clareza, autencidade e consistência.

Valores Comportamentais

Até esse momento, estou com esse set de valores para a Agilers:

Essenciais: Profissionalismo, propósito e desafiar o status quo.

Desejados: Ciclos curtos de feedback, otimização, pró-atividade.

Emergentes: Honestidade e Transparência.

Não encontrei nenhum que coubesse em “Esperados”.

Significado e Propósito

É, eu sei que tá um pouco estranho. Como assim primeiro olha para as dimensões, depois valores e depois significado e propósito? A ordem normal não seria a inversa?

Na realidade, como esse é um trabalho de revisão (mas uma revisão significativa), acabou que as coisas aconteceram fora de uma ordem lógica. Mas também tem o fato de que tudo isso não são processos lineares. Na verdade, acaba sendo um vai e volta constante em espiral.

O set Significado e Propósito foi inspirado no IKIGAI, e é um ótimo modelo para trabalhar propósito em organizações e equipes. A Agilers sempre foi uma empresa orientada a propósito. Todo ano rodamos um Framework de Clareamento de Propósito com nossa parceira Clear Purpose  .

Dessa vez acabamos apenas reforçando algumas ideias com apoio desses cards.

Significado e Propósito

Visão de Experiência

O set de Visão de Experiência foi também visitado. Inspirado pelo Jobs-to-Be-Done, isso tudo ainda está um pouco embrionário aqui na Agilers e será clareado quando começarmos a execução da nossa proposta de valor.

Mas um primeiro exercício olhando para nossas Personas e o sentimento que esperamos gerar nelas já está indicando um caminho muito valioso para trabalharmos em 2024. Aguardem que, quando tudo for comunicado, vocês ficarão sabendo o que nos propomos a fazer.

Por enquanto, pra vocês terem um gostinho, deixo aqui o Job-to-Be-Done do modelo unFIX que, pra mim, mostra o quanto o processo de desenvolvimento desse modelo foi cuidadoso e seguiu aquilo que ele mesmo prega:

Job-to-Be-Done do modelo unFIX

E cá estou eu, hein? Todo orgulhoso compartilhando minhas soluções!

Fluxos de Valor

Esse aqui é meu maior desafio! Como todo esse trabalho depois vai culminar em como nossos crews, fóruns e turfs serão desenhados, olhar para nossos fluxos de valor é extremamente importante.

Eu atualmente visualizo três possíveis fluxos de valor que ainda estou em dúvida se são fluxos de produto ou de serviços. Eu acredito que aqui teremos os dois! Veja mais no set Fluxo de Valor (aliás, todos os outros sets citados aqui estão classificados como “Padrões de Definição de Metas”, com exceção do Fluxo de Valor, que entra em “Padrões de Processo e Desenvolvimento”).

Essa definição é afetada lá pelas nossas dimensões estratégicas e seus dedobramentos. É um tema que devo levar para o próximo Case Clinic que acontece entre os parceiros unFIX. Um fórum onde podemos olhar para os desafios com um grupo de pessoas focada nesse tipo de assunto.

Fluxos de Valor no unFIX

Métricas e Medidas

Agora finalmente eles! Os OKRs, ou como eu disse lá em cima: flOwKRs. Eu já tenho utilizado esse conceito dos flOwKRs desde que o Jurgen divulgou ele lá atrás no extinto Shiftup! Infelizmente o site saiu do ar e não tem mais o artigo original. Felizmente há uma gravação em que ele fala desse conceito:

https://www.linkedin.com/embeds/publishingEmbed.html?articleId=7948277529690387659

Mas o que está me clareando muito a mente ao trabalhar com OKRs dessa vez é o set de Métricas e Medidas. Eu costumava ser meio xiita quando o assunto era OKRs e boa definição de Key Results. Nesse artigo você pode ver uma prova disso.

Hoje em dia eu já estou mais flexível sobre definição de resultados chave, e sei que nem sempre poderemos ser puristas. Na verdade, eu sempre insisti que deveríamos trabalhar com métricas de Resultados (afinal de contas, são resultados chave, certo?).

Isso não chega a ser totalmente errado, mas também podemos ter Métricas de Entrada, de Processo, de Saída e a de Impacto. E pode ser que qualquer uma delas possa se tornar um resultado chave, se fizer sentido no contexto.

O importante é que você tenha em mente que é muito bom sempre ter ao menos uma métrica de resultado e se possível de impacto no seu mix de Key Results.

Os OKRs que iniciaremos em 2024 (e aqueles que estamos trabalhando agora) são muito baseados em métricas de saída. Hoje a Agilers já está com resultado e impacto satisfatórios, e entendemos que é preciso construir uma base para logo mais poder pisar no acelerador.

Possivelmente nosso primeiro tri será assim, mas aos poucos vamos inserindo mais e mais métricas de resultado e por fim as de impacto.

Ah, pra você ter uma ideia, aqui vão alguns exemplos:

  1. Métrica de Entrada: capacidade do time.
  2. Métrica de Processo: tamanho da fila.
  3. Métrica de Saída: vazão, entregas.
  4. Métrica de Resultado: NPS.
  5. Métrica de Impacto: Rentabilidade.
Métricas e Medidas

Percebe que a organização precisa trabalhar todos esses tipos de indicadores? de que adianta entregar várias funcionalidades novas (as famosas feature factories) se isso não melhora a satisfação do cliente e não impacta nossa lucratividade?

O que esse set trouxe para mim foi consciência disso tudo. Agora consigo trabalhar muito melhor quando preciso pensar em métricas e OKRs aqui na Agilers.

E agora?

Você reparou que a grande maioria dos links que eu postei aqui são para o site unfix.com.br? Sim! Agora temos todo o modelo unFIX disponível em português brasileiro, nossa língua nativa!

E na Comunidade unFIX você também encontra todos os sets de cards em português na sua última versão, que conta com um total de 32 sets! Tudo gratuito, é só fazer o seu cadastro e baixar na sessão de downloads.

Ah, e o unFIX Foundation Workshop v2 também já está inteirinho traduzido! Essa nova versão aborda todos os sets que eu comentei nesse artigo, exceto de Valores Comportamentais e Significado e Propósito.

Board estratégico

Pra começar 2024 com tudo, estou pensando em fazer um pequeno talk sobre tudo isso! Vou falar sobre o set “Valores Comportamentais”, já que você não encontra no unFIX Foundation, e comentar sobre como fiz esse trabalho na Agilers. Interessante? Se inscreva por esse link.

E tem várias opções para você se aprofundar no unFIX:

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