Índice de Diversidade do Management 3.0

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Thiago Brant

Diversity Index

O novo Índice de Diversidade do Management 3.0 é mais uma das ferramentas que aplicam exatamente o espírito desse modelo, que fala de uma coleção de jogos, ferramentas e práticas que estão sempre em evolução e ajudam qualquer profissional a gerenciar a organização (eu falei bastante sobre a definição de Management 3.0 em um artigo que publiquei recentemente na minha página no Linkedin!).

Hoje vou falar um pouco desse aspecto comentando alguns usos que eu já fiz dessa ferramenta, que tem se demonstrado bastante flexível e adaptável a diferentes contextos, como é o esperado para esse tipo de prática.

Meu primeiro contato com ela foi no mundo dos workshops. Primeiramente em um workshop de Agilidade em RH que participei com meu colega facilitador Mateus Rocha, e depois em meu próprio workshop de Agilidade em RH. Nós usamos o índice de diversidade como uma forma de aumentar a diversidade em cada uma das equipes que se formaram para o workshop.

Funciona assim:

  1. As equipes são formadas aleatoriamente (ou pela formação natural da chegada, com as pessoas escolhendo as mesas que irão sentar).
  2. Cada equipe preenche uma planilha para calcular o seu índice de diversidade
  3. As equipes discutem entre si para analisar formas de aumentar o índice delas, em geral com a movimentação de pessoas entre elas (que tal movimentar uma pessoa estrangeira de uma equipe que possui 2 estrangeiros, para uma que não possui nenhum?).
  4. Após fazerem as movimentações, as equipes recalculam seus índices de diversidade para ver como ficou o resultado final.

Aqui eu coloco dois exemplos: o que usamos no workshop do Mateus (presencial – uma planilha em uma folha de papel) e no meu workshop (online – um Google Sheets compartilhado):

E o que ganhamos com esse exercício? Bom, essas equipes vão passar as próximas 16 horas reunidas, compartilhando experiências e conhecimento, e tentando resolver juntas um case de agilidade em RH. É claro que quanto mais diversos forem essas equipes, mais rica será a experiência, e muito melhor será o aprendizado.

Imagina se no início do treinamento as pessoas sentarem juntas por afinidades (todos da mesma empresa na mesma mesa, uma mesa só com mulheres). Pouca diversidade! E o índice de diversidade vem resolver essa questão de uma forma bem divertida, e com a participação de todo o grupo.

Eu participei de uma conferência no Brasil (TDC São Paulo – The Developers Conference) na trilha de Management 3.0 e escolhi falar de Colaboração na Diversidade, utilizando o índice de diversidade. Só que eu queria apresentar de uma forma que as pessoas vivenciarem essa prática, e assim surgiu um segundo método de aplicá-la.

Como eu esperava um público grande, e não poderia separá-los em grupos menores (minha palestra teria apenas 35 minutos!), eu criei uma experiência interativa utilizando o Mentimeter. Fiz uma adaptação das perguntas do Diversity Index (sim, você pode escolher as perguntas que quiser, que sejam representativas para o seu contexto. Inclusive a instrução padrão de utilização da ferramenta sugere que esse seja o primeiro passo, a escolha dos itens de diversidade relevantes para o grupo) e parti para a experiência.

No dia da apresentação, me deparei com um público de mais de 200 pessoas. Fui colocando cada pergunta para que cada um da platéia respondesse em seus celulares, e ia anotando as diferenças em cada aspecto em uma planilha auxiliar que só eu tinha acesso. Acabou sendo um momento muito divertido e participativo, e no qual já foram sendo gerados insights incríveis.

Pergunta sobre gênero, apenas 1 pessoa em 96 não se considerava do sexo femínimo ou masculino.

Com mais de 100 respostas, vimos que não existia nenhum Baby Boomer na platéia!

E aqui já veio algo que até hoje me faz refletir (eu já rodei esse mesmo formato em algumas outras situações, e nunca tivemos um Baby Boomer presente): cadê os Baby Boomers?

Essa foi uma conversa bacana durante a conferência. Como era uma conferência mais voltada aos desenvolvedores, era até esperado não haver ninguém nascido antes de 1964. Mas estávamos falando de Agilidade, de Managament 3.0, e de diversidade. É muito importante que essa galera tenha acesso a esse conteúdo, até porque eles são stakeholders importantes nas transformações que o mundo está passando hoje.

Ainda estou na minha saga para descobrir como trazer os Baby Boomers para o lado ágil da força!

A minha apuração (na imagem logo abaixo) demonstrou que, de uma possível pontuação de 64 pontos, a platéia do TDC conseguiu atingir 55. De uma perspectiva de diversidade, não considero um número ruim, apesar de justificável pelo tamanho do grupo. Acho que a análise individual de cada questão faz mais sentido (e já é no mínimo uma informação valiosa para a organização do evento).

Mas a reflexão fica muito mais séria em equipes menores. Como ter o máximo de diversidade em uma equipe com poucas pessoas? Como potencializar nosso poder criativo através da diversidade?

Com essas duas experiências, já consegui ver alguns potenciais usos do Índice de Diversidade:

  1. Comparar o índice entre equipes, e propor ações para melhorá-lo (a partir de um conjunto padrão de itens para calcular o índice). Sei que a minha amiga também facilitadora Luisa Escobar está com essa experiência em curso, e estou ansioso pelos resultados!
  2. Avaliar a diversidade de times que estão iniciando projetos inovadores (imagina isso em um time de Design Thinking, ou Discovery de Produto?).
  3. Entender a diversidade de grupos (como em conferências e eventos).
  4. Usar muito em treinamentos e workshops, principalmente os mais longos, para melhorar a experiência.
  5. E, acima de tudo: trazer o assunto à tona!

Sempre que eu uso o Índice de Diversidade ou falo do tema, minha recomendação final é sempre a mesma: independente da forma que você fizer, traga a discussão de diversidade para a mesa, fale disso, debata, reflita. Faça esse assunto ficar na boca (e na mente) das pessoas. É muito urgente trabalharmos os aspectos de inclusão de diversidade de forma séria e focada em solução.

E o Índice de Diversidade acaba sendo uma maneira leve, e até divertida, de fazer esse assunto emergir. Eu virei um grande fã dessa ferramenta!

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