O que é Management 3.0? Versão 2.0

Thiago Brant

Thiago Brant

Estava vendo aqui que exatamente 1 ano e 1 mês atrás eu escrevi um artigo “O que é Management 3.0”. Nesse um ano, muita coisa aconteceu, muita coisa mudou. Ficou claro pra mim que era hora de reescrever esse artigo com a visão que tenho hoje. Nasce assim a Versão 2.0.

E pra começar, já vou colocando aqui o que o próprio Management 3.0 diz, em um slide que aparece em muitos dos workshops que ministro sobre o tema:

E acho que o melhor jeito de continuar é destrinchando cada ponto dessa definição assim:

Management 3.0 não é mais um framework:

Em administração, um framework é uma estrutura conceitual básica que permite o manuseio

homogêneo de diferentes objetos de negócio.

É, realmente ele não é mais um framework. Não é uma estrutura conceitual básica, e nem visa um manuseio homgêneo. E mesmo em outras definições de framework não dá pra encaixar o Management 3.0 – não é um conjunto de melhores práticas, não é um pacote de ferramentas prontas. NÃO É UM FRAMEWORK! hehehe

  • É um mindset: já me desculpo antecipadamente àqueles que não aguentam mais ouvir o termo mindset, mas sim, o Management 3.0 é um mindset. É uma forma de pensar, construída com base nos mais variados estudos científico e literatura de autores consagrados. Cada uma das seis visões do Management 3.0 tem embasamento científico e estão alinhadas aos conceitos mais aceitos quando se trata de agilidade. É uma forma de pensar o gerenciamento de maneira ágil. O subtítulo do livro Management 3.0 já traz essa referência: “Desenvolvendo líderes ágeis”.

  • combinado com uma coleção de jogos, ferramentas e práticas: sim, o Management 3.0 tem muitos jogos, ferramentas e práticas. E cada uma delas representa uma opção para aplicar aquilo que sabemos que precisa ser considerado pela gestão. Aqui é um ponto interessante. Todas as atividades que ensinamos nos workshops são sugestões de aplicação para a referida visão, mas o importante é que aquilo que está na visão DEVE necessariamente ser considerado, discutido e trabalhado pela gestão. Não importa de que forma, mas deve ser feito. E claro, fazer isso com jogos é muito mais gostoso. Mas não se engane, pode parecer um jogo bobo, uma brincadeira, mas o poder do conceito presente por trás dessa ferramenta é inestimável.

  • em constante evolução: quem já fez algum workshop comigo sabe bem o que é isso. Como eu mencionei, os jogos e ferramentas são sugestões, que costumamos apresentar de uma forma mais simplificada e genérica, mas a aplicação em cada contexto pode (e deve) ser evoluída, adaptada, melhorada e modificada. Cada uma das ferramentas pode ser aplicada de muitas maneiras diferentes (como eu sempre digo, existem mil maneiras de se fazer um Personal Maps).

Aqui cabe um exemplo, e vou escolher a segunda visão do Martie:

Em geral nesse módulo ensinamos sobre o “Delegation Board”, que é uma ferramenta incrível para empoderamento, consentimento e confiança (com muita transparência, inclusive). Só que você pode evoluir o Delegation Board para melhor atender ao seu contexto. E você nem necessariamente precisa usar o Delegation Board. Você pode usar qualquer ferramenta e técnica. O importante é “para as equipes se auto organizarem, elas precisam ser empoderadas e obter consentimento e confiança da gestão”.

Então no fim não importa exatamente a ferramenta. O Management te dá opções, mas o mais importante é: FAÇA isso, PENSE nisso, DISCUTA isso, OLHE para isso. Ou por outra ótica: NÃO IGNORE ISSO! Eu sempre falo: o importante é trazer o assunto à tona, é colocar na mesa! Por isso que eu gosto tanto da imagem que eu escolhi para o cabeçalho deste artigo.

  • para ajudar a qualquer profissional a gerenciar a organização: e sim, ajuda e muito! O Management 3.0 te indica o que é importante a ser considerado, o que precisa ser visto, e maneiras efetivas de lidar com isso. Tanto é que na Agilers nós construímos a nossa gestão em cima das 6 visões do Management 3.0:

Usamos em cada uma das visões algumas ferramentas do Management 3.0, mas também outras retiradas de outras fontes, mas que atendem ao propósito de cada visão. Isso ajuda muito a olhar para todos os aspectos da gestão.

  • É um caminho para enxergar os sistemas de trabalho: Bom, eu já me convenci disso escrevendo o artigo até aqui. Mas veja só o board da Agilers. É ou não é possivel enxergar nossos sistemas de trabalho? Isso é muito incrível!

E pra fechar o artigo, vou responder essa pergunta porque acabei ficando me coçando pra isso!

Bom, é algo que vem da ideia de evolução, de versões. Jurgen Appelo, criador do Management 3.0, mapeou a evolução da gestão em 3 momentos, cada um com uma característica marcante:

  1. Management 1.0 = Hierarquias
  2. Management 2.0 = Capricho (ainda é um 1.0 disfarçado por add-ons)
  3. Management 3.0 = Complexidade

Na Microsoft em geral são necessárias 3 versões de um produto para que as coisas realmente comecem a dar certo. Management 3.0 é uma encarnação da gestão que finalmente encontrou uma sólida base científica. Esses add-ons anteriores ainda são válidos, mas o século 21 – o século da complexidade segundo Stephen Hawking – precisa substituir a hipótese das hierarquias pelas redes.

E é isso que eu acredito, e que me faz cada vez explorar mais o modelo Management 3.0: ele é a base sólida de tudo que está por vir em matéria de gerenciamento. Eu mesmo postei recentemente um artigo da Accenture Solutions IQ que posiciona o Management 3.0 como relevante na era do Business Agility, que é a onda que estamos acessando no momento.

Se ficou alguma dúvida ou uma pulga atrás da orelha, não hesite em me procurar! Vamos conversar sobre isso. Uma das grandes coisas na gestão é debater ideias!

Essas são algumas referências interessantes:

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